A convite da estimada Elizabeth Landi, participei da apresentação da artista Daniela Marques, que inaugurou o projeto Corpo Antropofágico na Escola de Psicanálise Corpo Freudiano, Seção Goiânia.
A proposta — Desconhecer e Re-conhecer: O que queremos com o desejo? — instigou reflexões que transcendem os limites da Arte, da Psicologia, da Filosofia e do senso comum.
O quanto ainda sonhamos?
O quanto ainda desejamos?
Essas foram algumas das questões levantadas pela artista, conflitando nossas habilidades (ou inabilidades) para lidar com o desejo, com a falta, com aquilo que nos distrai ou nos afasta de quem realmente somos.
Na tradição budista e na filosofia oriental, o desejo é visto como a raiz de todo sofrimento. Já no pensamento do alemão, Arthur Schopenhauer, filosofia que foi significativa nos estudos de Freud, afirmava que:
O homem é livre para fazer o que quer, mas não pode querer o que quer
Essa citação, trazida por Marques logo no início da apresentação, instaurou um embate entre desejo e vazio, sonho e realização, dor e prazer.
Mas, afinal, o que queremos?
Entre descobertas etimológicas, obras biográficas da artista e as reflexões do grupo, recordei-me do filme Nunca Deixe de Lembrar (2018).
A produção alemã acompanha a trajetória do aspirante a artista Kurt Barnert (inspirado em Gerhard Richter), desde sua infância até a vida adulta, em plena II Guerra Mundial. Em sua jornada, numa Alemanha dividida, Barnert se dedica ao estudo das Artes Visuais, guiado pelo personagem inspirado no artista Joseph Beuys. Durante sua formação, recebe uma crítica marcante de seu orientador:
A arte não deve ser mera imitação ou reprodução, mas um meio de libertação da prisão da realidade, do pensamento imposto, da tirania das imagens.
Somente ao desconstruir seu próprio processo criativo, Barnert desperta para um novo sentimento de confiança e autenticidade, reencontrando-se com as memórias de sua infância e reconhecendo, enfim, o que verdadeiramente deseja criar.
Trago um trecho do poema Desiderata, do poeta americano Max Ehrmann (1872–1945), generosamente compartilhado por Marques para o projeto Corpo Antropofágico:
(...)Mantenha o interesse em seu trabalho, por mais humilde que seja;
ele é um verdadeiro tesouro na contínua mudança dos tempos.
Seja prudente em tudo que fizer, porque o mundo está cheio de armadilhas.
Mas não fique cego para o bem que sempre existe.
Em toda parte, a vida está cheia de heroísmo.
Seja você mesmo(...).
Por fim, concluo essa reflexão a respeito dos conflitos de desejo, sonho e prazer com a célebre frase do psiquiatra e psicoterapeuta suíço, Carl Jung:
Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta.
Convidemos nossa criança interior a brincar, a despertar e a desejar sonhos de aventuras espaciais, ops, especiais e assim despertemos para o verdadeiro sentido da vida.