João Unes e Adriana Marinelli
Goiânia - O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Goiás (Fecomércio-GO), Marcelo Baiocchi, criticou a atual política econômica do governo federal, ressaltando que ela tem gerado incertezas e afetado diretamente o poder de consumo da população. Em entrevista exclusiva ao jornal A Redação nesta terça-feira (1º/4), Baiocchi destacou os desafios enfrentados pelo setor do comércio devido às medidas adotadas pelo governo. Ele alertou que, se não houver uma mudança de rumo, o cenário poderá comprometer a credibilidade do Brasil no mercado internacional.
"O atual momento da economia brasileira é muito incerto. A gente está com uma taxa Selic altíssima de 14,25% ao ano. A gente tem um desemprego onde o dado é fabricado porque não conta todos que estão no Bolsa Família, nem os que não procuram emprego mais. E nós estamos vendo uma desaceleração da economia, onde o PIB vem caindo e acaba gerando uma insegurança muito grande quanto ao futuro. Isso tudo se dá pelo déficit fiscal", afirmou Baiocchi.
Segundo ele, o governo tem adotado uma estratégia insustentável de gastos excessivos, o que impacta diretamente os juros e a capacidade de investimento do país. "É um governo que gasta mais do que arrecada. Ao gastar mais que arrecada, para continuar tendo recursos, tem que pagar juros mais altos. Então, isso, numa linguagem popular, é igual à economia da sua casa. Se você gasta mais do que o seu salário, você vai ter que começar a buscar dinheiro. Primeiro você vai no seu cheque especial, depois no seu cartão de crédito, depois no agiota, e vai chegar uma hora que você não dá conta mais de cumprir seus compromissos", alertou.
O líder empresarial teme que, se a situação continuar no mesmo ritmo, o Brasil possa perder credibilidade no cenário internacional. "Se continuarmos nessa linha, é algo muito preocupante. Vai chegar uma hora que o país pode ficar sem recursos para continuar os seus projetos e perder a credibilidade no cenário mundial", pontuou.
Comércio goiano
Ao analisar o cenário específico de Goiás, Baiocchi destacou que o setor comercial tem passado por grandes transformações, especialmente desde a pandemia. Segundo ele, o crescimento das compras on-line forçou uma adaptação do comércio tradicional. "O comércio, de uma forma geral, tem passado por grandes modificações, em especial desde a pandemia, onde as pessoas conseguiram ou aprenderam a comprar pela internet. Foram obrigados, porque o comércio estava todo fechado e a vida continuava. Então, houve um incremento muito grande nas transações pela internet, o que obrigou o comércio tradicional a se adaptar a essa nova realidade", explicou.
Apesar da mudança, ele acredita que as lojas físicas continuarão a ter força, mas será fundamental que também invistam no ambiente digital. "Nós acreditamos que o comércio formal, porta para a rua, não deixará de existir, mas é necessário que esse comerciante, esse empresário, mantenha sua loja também de forma virtual. E ele vai continuar tendo a sua clientela comprando tanto presencial quanto virtual. Uma grande rede de lojas aqui em Goiás, por exemplo, diminuiu sua estrutura física, mas aumentou seu volume de venda. Com o incremento das vendas na internet, manteve a porta para a rua, mas conseguiu também se posicionar no negócio digital", exemplificou ao reforçar que a adaptação do empresariado é fundamental para garantir a sustentabilidade dos negócios.
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